sábado, 3 de abril de 2010

Cultura popular ou quase isso

Reis e Páscoa

Tem coisas que a gente só descobre depois que acontece...

A primeira delas aconteceu no final do mês de janeiro. Mais precisamente no final de semana de 29 a 31 de janeiro, aconteceu na Granja do Torto o X Encontro de Folia de Reis do Distrito Federal, com direito a muita viola caipira, catira e a presença informal de Renato Teixeira.

Abaixo, o vídeo que um amigo meu me mandou enquanto eu estava viajando...



Mas, onde fica a Granja do Torto? Eis um mapinha para ajudar. Basicamente, você segue até o final da Asa Norte e quando chegar lá você estará perto!
















Outra festividade popular que também perdi foi a encenação da Paixão de Cristo. Tudo bem que não foi lá uma grande perda porque estava chovendo pra caramba e eu já estava atolado de compromissos decorrentes da vida no Plano Piloto.

Mas, quem sabe para o próximo ano. Afinal de contas, o evento acontece em Planaltina - a mesma cidade satélite do grupo de catira mencionado no vídeo anterior.




Dúvida sobre como chegar em Planaltina? Fácil! Vá até o final da Asa Norte, como se fosse para a festa na Granja do Torto. Chegando lá, pegue o primeiro retão que vir na frente, "segura na mão de Deus e vaaaaaai". Quando você pensar que já chegou (ao avistar Sobradinho) continue em frente ainda que depois de uns cinquenta quilômetros no total aí você chega. Claro, só se for beeeeem católico mesmo!


A mão invisível

Mas, só chove, chove, oh!

Ontem de manhã, ao me encaminhar para o "centro da cidade", eis a cena com a qual me deparo!




















Adam Smith, aquele pastor protestante que entrou para a história como pensador econômico cuja teoria haveria de ser destruída por Karl Marx, dizia que havia a economia mundial era governada por uma espécie de "mão invisível".

Se morasse em Brasília e visse esta cena, ele diria que a chuva também é governada por uma mão invisível que as vezes se materializa no horizonte anunciando que o mundo vai acabar - mais cedo ou mais tarde...

Fernando Henrique, como se sabe, se diz ateu. Mas, reconhecia também a presença de uma "mão invisível" a guiar sua primeira campanha presencial. Será então que ele fazia referência a esta mesma mão que captei na minha máquina fotográfica ou será que a mão invisível dele se chamava Sérgio Mota - o contador da sua campanha?...

Ou será ainda que ele reconhecia a presença de uma mão divina que intervem no destino dos homens, a medida que estes pedem por isso em reconhecimento da sua impotência diante da "roda da história" ? - para usar, aqui, uma expressão de Weber já que estamos falando de pensadores.

Enquanto enumeramos as questões insolúveis desta vida, descobri que não sou o único a fotografar a chuva de Brasília. Vejam só que belas fotos encontrei pelos blogs da vida:





































O engraçado é que quando vim pra cá, as pessoas diziam que eu ía estranhar a cidade porque aqui é muito seco...

November rain

A sementinha, a chuva e o Axel

"Porque nada dura para sempre, nem mesmo a chuva de novembro"

Há (havia) um ditado que diz que o Brasil só começa depois do carnaval. E se o ditado não serve mais para o Brasil, para Brasília ainda serve muito bem.

Depois do carnaval, a cidade começa finalmente! Já não encontra mais lugar para estacionar, os lugares nas mesas de bar ficam disputados, os pubs ficam superlotados ao extremo, câmera e senado retomam sua rotina de debates e comissões e a agenda cultural de repente fica repleta de eventos e shows! E, inclusive, de shows internacionais...

E quem apareceu por aqui este ano foi o Gun´s Roses. Ééééééé. Aquele que na década de noventa lançava dois discos de uma vez só (Use your ilusion) levando fãs norte-americanos a madrugarem em frente às lojas de discos para conseguir comprar o seu! Quão longe isto parece, não? Hoje em dia, todo mundo ficaria em casa conectado à internet esperando o primeiro bit-torrent entrar no ar...




















Mas, o Gun´s que veio à Brasília não foi propriamente o Gun´s Roses. Este, como se sabe, acabou junto com a década de noventa. Quem veio à Brasília foi Axel Rose "depois das drogas" e sua banda cover do Gun´s.

O show já aconteceu e eu não fui. Não sei se eles tocaram o sucesso da década de noventa, November Rain. Música, a propósito, muito apropriada para este início de ano quando Brasília está parecendo um Vietnã de tanta chuva.

Por conta da combinação desses dois eventos recentes, fui revistar o clipe da música November Rain no youtube e tive que dar o braço a torcer: continua legal. Tirando o melodrama sobre o qual entrarei em detalhes a seguir, a tomada aérea do Slash fazendo seu inesquecível sólo de guitarra em frente à uma igrejinha no meio do deserto é memorável.

















Antes, porém, de entrarmos na questão do melodrama, duas palavrinhas sobre a noiva do Axel. Repararam no modelito do vestido de noiva?... (rs) De véu e grinalda, símbolos tradicionais da pureza e da castidade, mas aberto frontalmente para mostrar as longas pernas torneadas com meia de seda preta?... Muito meio, não? E a lambida que ela dá na espátula depois de cortar o bolo de casamento?... É, não é a toa que o Axel desperta em prantos durante a noite chuvosa... É realmente muito triste uma perda dessas... (rs)

Agora, vamos ao fato mais curioso de todos! A historinha do clipe, como se sabe, gira em torno da cerimônia de casamento seguida de um funeral da jovem esposa que o protagonista perde e lamenta muito, etc. Muito bem... Sabe o leitor, no entanto, que há uma música caipira com história análoga?!... Sim...

A música chama-se "Sementinha" e também pode ser ouvida no youtube. Ok, o título não é dos melhores. Mas, enfim, esta música que foi gravada por Lourenço e Lourival e também por Liu e Léo conta a história de um caboclo - igual ao Axel - que teve um romance idílico com uma caboclinha "graciosa, bela e meiga" com quem sonhou ser feliz. Mas, uma semana antes do casamento a mocinha morre! Uh! Raios duplos!

Enfim, duas histórias de amor que não se realiza. No clip do Guns não fica muito claro se o casamento chega a se consumar porque logo após a festa de casamento que é interrompida pela chuva de novembro, a mulher já aparece num caixão. Mas, que nos importa isto! Ok, ok, estou sendo insensível com o pobre do Axel que desde então passou a usar drogas ou algo parecido...

Mas, enfim, o fato é que existe um paralelo interessante aqui entre o caboclo que mora na fazenda e o... como poderíamos chamar... enfim, o... o cara com dinheiro (digamos assim) que se casa com "A mulher" que logo em seguida morre na chuva de novembro. Prova talvez que dinheiro não é garantia de felicidade?... Quem sabe?...

Mas, se o nome "Sementinha" não sensibilizou o leitor, fique a vontade para dar outro nome. Afinal de contas, até os compositores fazem isto desde que mundo é mundo. Talvez, inclusive, a Sementinha poderia se chamar "Chuva de abril" já que a de março ficaria parecendo plágio com Tom Jobim. Se a história se desse em Brasília estaria super no contexto.

Mas, não ache que estou "viajando na maioneses". Afinal de contas, existe um trecho da Sementinha onde a chuva aparece também como elemento importante da trama:

A chuva se foi embora e o sol ardente
Matou a minha roseira e secou meu pranto

Só não matou a saudade da caboclinha

Pois eu veja sua imagem em todo canto

quarta-feira, 31 de março de 2010

Em breve, aqui, uma nova capital

Construindo uma nova caipital

Estar em Brasília em 2010, quando a cidade completa cinquenta anos de fundação, tem um significado estético particular, pois parece que devido à festa do cinquentenário o governo resolveu restaurar alguns prédios que são verdadeiros símbolos da cidade como, por exemplo, o Palácio do Planalto, a Praça dos três poderes e a Catedral.

Sobre a Catedral, já mostrei no último post como ficou sua imagem como o manto que lhe puserem para cobrir seus vitrais.

E as fotos abaixo mostram como ficaram os outros lugares. Andar no meio desses escombros, com a vista dos andaimes nos prédios e monumentos, por um momento, passa a impressão de que uma fenda temporal se abriu e estamos andando pela Brasília dos primeiros anos quando se trabalhava intensamente para se ter em breve, aqui, uma nova capital.


Palácio do Planalto



















Escultura com SUpremo Tribunal Federal ao fundo



















Monumentos da Praça dos Três Poderes



















Escombros em frente ao Supremo Tribunal Federal




















Palácio do Planalto

segunda-feira, 29 de março de 2010

Camisinha na igreja

O manto da catedral

A Catedral de Brasília, assim como outros prédios históricos da cidade, está em reforma. Por conta disso, a catedral teve seus vitrais cobertos por uma espécie de manto branco que não lhe tirou a elegância mesmo durante o procesos de restauração e reforma.

Veja só as fotos abaixo. É uma oportunidade única de ver a catedral desta maneira.








































sexta-feira, 26 de março de 2010

CCBB

Sob as estruturas de um céu iluminado

O prédio do Centro Cultural do Banco do Brasil de Brasília é um lugar cujo surgimento na minha memória remete à sede do governo provisório que Fernando Henrique Cardoso criou para repassar, ao novo governo eleito, o conhecimento da nova estrutura e políticas de Estado que havia implantado.

Uma iniciativa, diga-se de passagem, positiva pois se serviu, de um lado, para a permanência de políticas de Estado chamadas de neo-liberais, por outro lado, a descontinuidade de políticas e programas de Estado na transição de um governo para outro era ou ainda é um mal muito presente no cenário nacional.

E atualmente, o lugar voltou a ser a sede do executivo enquanto o Palácio do Planalto é reformado "pela primeira vez na história deste país".

Mas, fora o uso feito deste lugar, o fato é que o prédio em si tem uma arquitetura impressionante que logo atesta a grandeza e genialidade do seu arquiteto, Oscar Niemayer, que consegue dar leveza a imensas e pesadas construções de concreto armado.

Sentar-se na lanchonete alí existente, sob aquele teto de concreto sustentado por inusitadas colunas, para uma bebida ou algo do tipo é uma experiência que vale a pena. E foi alí, a propósito, que estas notas foram inicialmente elaboradas enquanto olhava para aquele imenso teto de concreto suspenso e pensava que senão fosse as aparentemente frágeis (mas, na verdade, sólidas e firmes colunas) tudo poderia desabar sobre nossas cabeças.

Algo semelhante, penso, a cada troca de governo que poderia fazer o país desabar sobre a cabeça dos cidadãos senão fosse a solidez das instituições públicas e democráticas (aparentemente frágeis como as colunas do CCBB) a sustentar a pesada estrutura de uma das maiores repúblicas do mundo.

Diário de um louco

Do Capote outra vez

Como disse no post anterior, o Capote de Gógol é uma obra que vale a epna ser conferida. E nas minhas andanças pela internet, descobri que este conto de Gógol encontra-se disponível gratuitamente para download no site "Virtual Books Online" - e não é pirataria... (rs)

No entanto, no que diz respeito à montagem da peça pela companhia britânica que visitou Brasília, o dramaturgo já dizia em nota do catálogo que se tratava de uma adaptação. Ou até mesmo, acrescento eu, do que poderíamos chamar de uma "livre adaptação" - dada a distância entre a obra originária e a peça.

Poderíamos até dizier que o enredo da peça de teatro assemelha-se ao conto "Diário de um louco" de Gógol pela presença de alguns elementos próprios da trama daquele outro conto. Mas, isso seria um exagero de generosidade.

Do Capote mesmo de Gógol, ficou só a figura de um pobre empregado de uma repartição pública tomado pela burocracia e pelas condições precárias de sua existência e, claro, o capote (sobretudo) que dá nome ao conto.

O romance, ou melhor, a trama amorosa de tom romântico presente no roteiro da peça, por exemplo, inexiste no texto original assim como a concorrência interna no emprego em busca de uma promoção cujo prêmio seria o Capote.

Portanto, a despeito da originalidade da estrutura da peça, ainda vale mais a pena ir à obra original e compreender a essência do que diferenciou a literatura russa da francesa e fez dela o que ela é ou foi: a melhor do mundo!